terça-feira, outubro 17, 2006

M015 - Nozes a Dentuças

Faço o trajecto a pé de casa ao trabalho quatro vezes. São cerca de quinze minutos duas vezes a subir e duas vezes a descer, pleonasmos da vida. Há cenas matinais que se repetem: um par de amigos antagónicos em caminhada matinal (o empresário do covilhete moreno simpático e bonacheirão e o advogado loiro bom como o milho e sisudo), os trabalhadores de uma obra de reconstrução de uma habitação à “antiga portuguesa” (um cubo com vãos em simetria vertical e horizontal, cantarias, telhado com beirais e o inevitável alpendre na entrada) em constante equilíbrio entre a vida e o trabalho, os varredores das folhas do Outono (actividade muito interessante tendo em conta que nenhum destes homens deve pegar numa vassoura em casa), as pessoas paradas à volta do postalete da paragem do autocarro (animação recente, uma atitude que transformou para melhor o movimento da cidade), os poucos destemidos velhotes à janela (dá vontade de lhes dizer adeus) do lar da terceira idade com uma história de arquitectura muito interessante, o veiculo frigorifico de transporte de carne à porta da salsicharia (um designação muito de cá para o comércio de carne de porco e frango) num vai e vem de caixotes de plástico com frangos para o almoço… e mais não digo senão transformo-me numa sucursal de coscuvilhice... sem as cenas de antes e depois da hora do almoço e as de regresso muito mais animadas! Num trajecto cheio de pormenores de rotina e/ou de surpresa que valem milhares de fotografias interessantes, pensamentos, telefonemas, mensagens, cumprimentos formais, sorrisos, olá tudo bem, sou uma sortuda, nada de pessimismos, tenho saúde, trabalho, estamos em paz, há liberdade de movimento, não chovem bombas, não se ouvem tiros… e mesmo com alguns dentes de plástico bem trinco as nozes que tenho! (semeio, rego, podo, apanho e descasco antes de as trincar, mastigo, engulo, digiro e não caem do céu)

18 comentários:

mfc disse...

Um post de quem observa, está de bem com a vida e que sabe que nada cai do céu.

Mónica disse...

contente :-)

Sofia disse...

És uma sortuda!!!!

Já ninguém tem o privilégio de ir a pé para o trabalho. Eu se for a pé demoro algumas horas a chegar.

Teresa Durães disse...

eu tinha de saber nadar como os atletas das olimpíadas ou melhor ainda que o Tejo tem cá umas correntes.. ainda por cima estou no local mais looooooooonge de barco, na terra dos Tós.

Isso de ir a pé para o trabalho, desconheço por completo.

Totalmente!

Hoje escreveste imenso!!!!! Mereces um prémio!!! :P

Nucha disse...

Se são os mesmos 15 min. a subir e a descer, é sinal que manténs a boa forma! :-)

De carro tem menos piada, mas tb se vivem algumas rotinas. Costumo aferir do meu atraso ou bom ritmo pelo ponto em que cruzo duas trabalhadoras do hospital. :-)

E a diferença no trânsito com 2/3 min. a mais ou a menos?!! Só visto.

henry disse...

trajecto elegante.

Um dos meus obis.A observação e registo de tudo que meche à minha volta.
é fascinante.
è a vantagem de andar a pé.
também faço o trajecto casa / emprego em 5 minutos.
Sortudo!
talvez.
quem sabe!

:-)

lima disse...

olha... um arremedo de gárgula. sempre é mais bonito do que a outra, adaptada.

tens sorte, não precisas de carro para as voltas diárias.

mas eu gosto de andar de carro!

Mónica disse...

a outra gárgula é muito mais bonita! esta é uma imitação em metal, coisa que nunca tinha visto até ao dia de ontem :-))))

Mónica disse...

TD: afinal não sabes voar!!!
nucha: e para que serve o relógio! um dia elas mudam de turno e tu vais sentir a falta delas!
henry: obrigada :-)

Leonor disse...

Porque será que aos olhos dos outros somos sempre uns sortudos???
E raramente o próprio concorda com semelhante sorte???
Será que é mesmo uma sorte viver esta sorte??
Mónica para me ir acostumando :-*

Teresa Durães disse...

mónica: sabes qual o tamanho de uma caturra??? não sou uma gaivota!!!

não consigo atravessar o tejo!!!!
sei voar mas é baixinho! ahahahah

(ou não conheces a anedota do corcodilo?)

Mónica disse...

coitadinho do hipopotamo tem a boca tão grande... :-)

Mónica disse...

leonor: nunca me contento com a minha "sorte" mas admito que tenho alguma :-)

Teresa Durães disse...

atitude inteligente mónica, mas de ti estava à espera uma resposta dessas!

(não deixo asteriscos)

Leonor disse...

Mónica: estava a fazer uma reflexão auto-crítica

Mónica disse...

percebi leonor! mas não queria deixar a impressão que sou uma conformada :-) ou que viva num mar de rosas

Lúcia disse...

inconformada, tu?
Nahhhh!

e as nogueiras podam-se? lololol

Mónica disse...

poda-se!